sábado, 20 de outubro de 2012

Deixa que te conte…



“Quero contar-te uma história”, dizia ela, com o brilho que só a nossa mãe pode ter. “Vou contar-te um segredo”, dizia, sorrindo. “Deus disse ao homem que não podia voar, mas não lhe disse que não podia sonhar, e quem sonha tudo pode.”

Estas palavras viajam sempre comigo…

Cuidado com a crise, temos de apertar o cinto, dizem eles. Caros amigos, isto nunca foi tão verdade, assim o dizem os nossos governantes, e dizem-no por ser verdade. Ouçam estes homens, que vos libertaram do ditador e vos deram toda a sua devoção. Eles temem por vós. Não é altura para sonhar, devemos ter os pés bem assentes no chão. Se todos sofrermos juntos, e nos preocuparmos em continuar com o nosso quotidiano imaculado, vamos superar a crise.

Não é altura para sonhar! Que fique bem presente, podemos deitar tudo a perder. Lembremo-nos o que pode causar a nossa audácia nesta altura. O mundo corrói-se a cada segundo que passa, se ousarmos de mais, vamos, com certeza, acompanha-lo na sua decadência. Assim o dizem os nossos governantes, e devemos ouvi-los, pois sabem o que fazem.

Na altura dos descobrimentos ousámos sonhar. E onde é que isso nos levou?
Meus senhores, deveis ter muito cuidado. Deveis ouvir estes, homens estudiosos, que tanto vos ofereceram todos estes anos. Será agora altura de sonhar? Eles dizem que não, e saberão indubitavelmente, porquê.
Evidentemente, não estamos em altura para sonhar. É inevitável pensar no que poderia acontecer com tamanha ousadia…

Caros amigos, sonhámos navegar os mares, e hoje pertencem-nos. Sonhámos conhecer o mundo, e hoje não nos guarda segredos. Podíamos ter falhado cada desafio que surgiu, na verdade falhámos, e muito foi o nosso sofrimento. Mas, por cada dia sofrido, nasceu outro, mais risonho. Por cada sonho destruído, nasceu outro, mais forte. Por cada batalha perdida, lutámos com mais força. Partíamos juntos, lutávamos pelo sonho, pela ousadia de querer ir mais além. Ganhávamos, muitas vezes perdíamos, era pelo sonho que íamos, e se não fosse nossa a vitória, tornávamos a tentar.

Nada existe sem sonho, nada se conquista sem esforço, muitas vezes até é preciso uma pontinha de sorte. Já ouvimos estes homens que nos têm guiado todo este tempo, mas humildemente, partilho convosco o que sinto. 

Eu sonho, sonho porque gosto, sonho porque estou triste ou porque estou feliz. Sonho porque quero e porque posso! O sonho é meu por direito, guia a minha vida, dá-me força e deixa-me ver o próximo passo.
Caros amigos, outrora sonhámos! Não nos devemos esquecer que a nossa ousadia navegou o mundo, escreveu mapas, conquistou tempestades, transformou a fé, criou civilizações, escreveu a história, e tornou a tormenta em boa esperança. 
Hoje perdidos, mas não derrotados...

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