“Quero contar-te uma história”, dizia ela, com o brilho
que só a nossa mãe pode ter. “Vou contar-te um segredo”, dizia, sorrindo. “Deus
disse ao homem que não podia voar, mas não lhe disse que não podia sonhar, e
quem sonha tudo pode.”
Estas palavras viajam sempre comigo…
Cuidado com a crise, temos de apertar o cinto, dizem eles.
Caros amigos, isto nunca foi tão verdade, assim o dizem os nossos governantes,
e dizem-no por ser verdade. Ouçam estes homens, que vos libertaram do ditador e
vos deram toda a sua devoção. Eles temem por vós. Não é altura para sonhar,
devemos ter os pés bem assentes no chão. Se todos sofrermos juntos, e nos
preocuparmos em continuar com o nosso quotidiano imaculado, vamos superar a
crise.
Não é altura para sonhar! Que fique bem presente, podemos
deitar tudo a perder. Lembremo-nos o que pode causar a nossa audácia nesta
altura. O mundo corrói-se a cada segundo que passa, se ousarmos de mais, vamos,
com certeza, acompanha-lo na sua decadência. Assim o dizem os nossos
governantes, e devemos ouvi-los, pois sabem o que fazem.
Na altura dos descobrimentos ousámos sonhar. E onde é que
isso nos levou?
Meus senhores, deveis ter muito cuidado. Deveis ouvir estes, homens estudiosos, que tanto vos ofereceram todos estes anos. Será agora altura de sonhar? Eles dizem que não, e saberão indubitavelmente, porquê.
Meus senhores, deveis ter muito cuidado. Deveis ouvir estes, homens estudiosos, que tanto vos ofereceram todos estes anos. Será agora altura de sonhar? Eles dizem que não, e saberão indubitavelmente, porquê.
Evidentemente, não estamos em altura para sonhar. É inevitável
pensar no que poderia acontecer com tamanha ousadia…
Caros amigos, sonhámos navegar os mares, e hoje pertencem-nos.
Sonhámos conhecer o mundo, e hoje não nos guarda segredos. Podíamos ter falhado
cada desafio que surgiu, na verdade falhámos, e muito foi o nosso sofrimento.
Mas, por cada dia sofrido, nasceu outro, mais risonho. Por cada sonho
destruído, nasceu outro, mais forte. Por cada batalha perdida, lutámos com mais
força. Partíamos juntos, lutávamos pelo sonho, pela ousadia de querer ir mais
além. Ganhávamos, muitas vezes perdíamos, era pelo sonho que íamos, e se não
fosse nossa a vitória, tornávamos a tentar.
Nada existe sem sonho, nada se conquista sem esforço,
muitas vezes até é preciso uma pontinha de sorte. Já ouvimos estes homens que nos
têm guiado todo este tempo, mas humildemente, partilho convosco o
que sinto.
Eu sonho, sonho porque gosto, sonho porque estou triste ou porque
estou feliz. Sonho porque quero e porque posso! O sonho é meu por direito, guia
a minha vida, dá-me força e deixa-me ver o próximo passo.
Caros amigos, outrora sonhámos! Não nos devemos esquecer
que a nossa ousadia navegou o mundo, escreveu mapas, conquistou tempestades,
transformou a fé, criou civilizações, escreveu a história, e tornou a tormenta
em boa esperança.
Hoje perdidos, mas não derrotados...
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